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Luiz Henrique Mandetta, diz que a viagem de Bolsonaro em março para os EUA foi uma "viagem do coronavírus"



Em uma entrevista à apresentadora britânica Christiane Amanpour da CNN, o Ex-Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a visita oficial do Presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos em março se tornou uma "viagem do coronavírus", em que diversos de seus assessores testaram positivo para o novo vírus duas semanas após retornarem. 

A entrevista de Mandetta foi exibida pelo canal internacional da CNN, parte do grupo WarnerMedia, distribuído entre as principais operadoras do país. A conversa também foi veiculada na CNN Brasil. 

Mandetta, que falou de Brasília, contou que não sabia quais eram os resultados dos testes do presidente. Bolsonaro afirmou diversas vezes que eles apontaram negativo, mas havia se recusado em torná-los públicos até quarta-feira, 13 de maio. Depois de muito pressionado, o líder divulgou os resultados que confirmaram suas declarações. De qualquer maneira, vários assessores do presidente e integrantes de sua administração testaram positivo para o novo coronavírus. 

"Tudo o que sei é que logo depois de sua visita aos Estados Unidos, onde eles [a comitiva presidencial] foram à Flórida para jantar com o Presidente Donald Trump, o responsável pela comunicação voltou no avião com a doença. Das pessoas que estavam na viagem, 17 testaram positivo dentro de 15 dias após a chegada ao Brasil. Então essa visita definitivamente foi uma ‘viagem do coronavírus’", afirmou Mandetta. 

Mandetta se referiu ao chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social, Fábio Wajngarten, que testou positivo para o vírus em 12 de março, logo depois que ele, junto ao Presidente Bolsonaro e sua equipe, se encontrou com o Presidente Donald Trump em Mar-a-Lago, durante uma visita oficial. 

Mandetta foi demitido do seu cargo de Ministro da Saúde em 16 de abril. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins de quarta-feira, o Brasil possui mais de 180.737 casos confirmados, o maior número da América do Sul. 

Confira outros destaques da entrevista: 

Mandetta sobre a capacidade do Brasil de conter o Covid-19 
"Os números falam por si só. O número de mortos não para de subir. Provavelmente nesta semana ou no começo da próxima, nós atingiremos a margem de 1.000 mortos por dia. Então eu acredito que só estamos no início do momento mais difícil que vamos enfrentar. De zero a dez, minha preocupação estaria no dez." 

Mandetta sobre o motivo de sua demissão por Bolsonaro no último mês 
"Eu poderia dizer que foi amigável, porque ele foi eleito para cuidar do país e eu fui nomeado por ele, mas as razões que levaram ao ponto de opiniões absolutamente divergentes sobre a mesma situação era algo que eu obviamente não suportei, com ele dizendo para as pessoas voltarem a trabalhar, andar por aí e não manter distância, e insistindo que era uma simples gripe. Nós estávamos conversando com pessoas de todo o mundo afirmando que a população deveria ficar em casa à salvo e cuidar dos idosos. Claramente nós estávamos em lados oposto, então quando essas divergências foram à público, eu acredito que ele fez o que achou adequado, mas a história dirá quem estava certo ou errado. Eu acredito que os números falam por si só. O número de mortos não para de subir. Provavelmente nesta semana ou no começo da próxima, nós atingiremos a margem de 1.000 mortos por dia. Então eu acredito que só estamos no início do momento mais difícil que vamos enfrentar. De zero a dez, minha preocupação estaria no dez." 


Mandetta sobre as semelhanças entre a resposta de Bolsonaro ao surto de Covid-19 no Brasil e a resposta de Trump nos EUA 
"Eu acredito que funcionou parcialmente, porque até o Presidente Trump voltou atrás em sua posição quando notou o quão prejudicial ao Estados Unidos poderia ser, especialmente quando o sistema de saúde de Nova York desmoronou, além de Chicago, Califórnia e Flórida. E nosso presidente continuou com o mesmo tipo de declarações, dizendo que temos hidroxicloroquina, o medicamento que resolve a situação e é muito barato. Infelizmente ele é um dos poucos líderes que insiste que a economia deve voltar de qualquer maneira, que o desemprego será pior do que a pandemia e que as pessoas deveriam se preocupar em como manter a economia girando, porque ficar em casa trará maiores danos à saúde da população do que a própria doença. Essa é a mensagem que ele passa para as pessoas, então é muito complicado dizer o contrário a elas, para esperarmos que a doença tome seu rumo natural e cuidar para não nos expormos a ela." 

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